Grande viagem pelo São Francisco

 

 

GRANDE VIAGEM (PARTE VII)

 

Os costumes em muitos lugares ainda permanecem os mesmos de antigamente e na região de Abaeté e Indaiá, os estudiosos talvez possam ainda assistir a um velório tradicional, com a chamada "festa do defunto", em que o cadáver assiste a uma verdadeira orgia de piadas, alimentos e bebidas oferecidas pelo dono do morto.

 

E se alguém observar o grande número de cabeças que descem o rio na correnteza, não pense que sirvam apenas para segurar anzóis. Na maior parte dos casos elas constituem ex-votos ou promessas dos caboclos que moram à margem.

 

Os tradicionais mitos mineiros também existem ao longo do São Francisco: o saci, a mula sem cabeça, sem falar na mãe dágua, no violeiro do rio abaixo, tão conhecido na região da Lagoa da Prata e uma série de outros personagens lendários e místicos.

 

E nas noites de lua, os violeiros gostam de cantar canções regionais mas quase sempre uma delas termina assim:

 

"Lá vai a garça voando
Co'as penas que Deus lhe deu
Contando pena por pena
Mais penas padeço eu"

 

A região do Alto do São Francisco, desde suas nascentes na Serra da Canastra até a reprêsa de Três Marias teve o seu povoamento graças principalmente à mineiração do diamante e do ouro. Com o esvaziamento das minas, porém, a pecuária se tornou a principal fonte de renda, em conjunto com a agricultura.

 

Goegráficamente, as cidades desta faixa do São Francisco se encontram nas micro-regiões 17 e 24, dentro do que é chamado pelo geólogos de "depressão do São Francisco", uma faixa de terrenos planos, cuja altitude cai lentamente de 700 para 500 metros na fronteira com a Bahia.

 

Não possuindo grandes reservas minerais, que possibilitem o surgimento de siderurgias com na região metalúrgica, o Alto do São Francisco possui mesmo assim, jazidas de calcário, caolim, mármore, pirita, etc. principalmente na parte ao logo da Serra da Canastra, com ocorrência também de lavras diamantinas e de ouro.

 

Por isso mesmo a região se dedica muito mais à agropecuária, com ocorrência maior para o chamado "arroz de espigão" em Vargem Bonita e Piumhi, cana de açucar em Lagoa da Prata e Japaraíba, mandioca, feijão e milho em tôda a extensão do vale, sem falar na criação de bovinos, principalmente riqueza dos municípios, por causa do grande número de córegos, ribeirões e rios, sem falar do terreno pouco montanhoso, que favorece a pecuária.

 

Aproximadamente meio milhão de pessoas vivem na região, tendo como principal base uma pequena indústria extrativa, auxiliando a agropecuária.

 

As dificuldades de comunicação com o resto do Estado, especialmente com a capital, impossibilitam o desenvolvimento da região por longo tempo.

 

As antigas estradas de tropas e boiadas não vinham sendo substituídas a contento e a principal ligação com Belo Horizonte era a "rodovia da morte" que passava por São Gonçalo do Pará, Perdigão, Araújos, Moema, Serra da Saudade. Era uma aventura antigamente atravessar a Serra para se chegar a Araxá.

 

Mas mesmo assim a estrada era melhor ainda que os caminhost temporários existentes na parte sul da região, junto à Serra da Canastra, onde o município de Guia Lopes, atual São Roque de Minas, ficou praticamente isolado do mundo, durante muito tempo, embora por lá tivesse passado antigamente a Estrada Real do Desemboque que levava a Paracatu e Goiás.

 

A parte sul ainda se ressente da ausência de estradas, mas mais para cima, as novas rodovias, sem falar na BR-262, representam a maior promessa real para o desenvolvimento da região, facilitando o escoamento dos produtos primários e a possibilidade de surgimento de pequenas e médias êmpresas industriais.

 

As estradas vão permitir também o aparecimento de um fator nôvo para o desenvolvimento da região e até agora não explorado: o turismo.

 

O rio São Francisco é pouco conhecido nesta parte do seu curso, embora possua alto índice de piscosidade e belíssimas paisagens naturais, com lagoas e alagados o rodeando por tôda a parte.

 

O desmatamento das cabeceiras dos rios vem prejudicando em grande parte sua ecologia natural, mas há um despertar para o problema, e a idéia de um Parque Estadual da Serra da Canastra encontra cada vez mais defensores que afirmam serem as belezas naturais da região, com sua fauna e flora, motivos essenciais para sua conservação, com a Casca D'Anta, os canyons do rio São Francisco, cristais que reverberam ao sol, etc.

 

Lagoa da Prata já possui um embrião turístico, mas cidades com Pompeu até hoje até hoje não sentiram as grandes riquezas que possuem para o turismo, por exemplo, as ruínas da fazenda Joaquina de Pompeu, as festas populares existentes em grande escala.

 

Todos êstes fatôres, turismo, estrada, indústria podem colocar o Alto do São Francisco na posição que merece no Estado, pois como se diz na região: "jeito nós temos, só falta trato".

 

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Criação: 15/10/2010
Atualizada em 28/12/2010


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