Grande viagem pelo São Francisco

 

 

GRANDE VIAGEM (PARTE V)

 

Logo depois de Pôrto das Andorinhas, o rio já está em terras do Abaeté, em que a mineiração se misturou, durante muito tempo, com a pecuária. Dizem que o primitivo nome de Abaeté foi "Mateus José", mas outros afirmam que o arraial assim chamado ficava um pouco além, tendo servido para esconder contrabandistas e foragidos da justiça real.

 

Do lado direito do São Francisco está Pompéu, antigo pouso de tropeiros que vinham de Montes Claros para Bambuí. Naquele tempo, o pouso de Buriti da Estrada era famoso e muito do folclore regional ainda deriva destas conversas ao pé do fogo, enquanto o café se esquentava na trempe e a caninha corria de bôca em bôca.

 

Foi na Fazenda do Pompéu que se estabeleceu em fins do século XVIII o capitão Inácio de oliveira Campos e sua espôsa, dona Joaquina Bernarda da Silva Abreu Castelo Branco, mais conhecida até hoje como Joaquina de Pompéu.

 

Tomando conta da fazenda, com a paralisia do marido, Joaquina de Pompéu transformou-se numa autêntica matriarca que enviava gado para o Rio de Janeiro, a fim de auxiliar as tropas de Pedro I no combate pela Independência do Brasil, que distribuia dinheiro para os pobres e que entre lendas fantásticas a seu respeito, foi a origem da maior parte das famílias tradicionais de Minas e dos grandes políticos que fazem a fama do mineiro.

 

No ponto em que se encontram os municípios de Martinho Campos, Abaeté e Pompeu começa a represa de Três Marias e o São Francisco recebe as águas do Rio Pará, acrescido do rio do Peixe, ribeirão do Pari e córrego do Salobro.

 

Três Marias saiu de um planejamento feito pela antiga Comissão do Vale do São Francisco, criada pela lei nº.541, de autoria do presidente Eurico Gaspar Dutra que pretendia ter uma similar da Tennessee Valley Authority, a fim de eliminar os problemas de sêca no Nordeste, criar condições de navegabilidade nos rios e fornecer energia elétrica para a região.

 

Além de Três Marias, o plano previa a construção de outras barragens junto ao rio das Velhas, Paracatu, bem como projetos de reflorestamento ao longo das cabeceiras dos afluentes. Isso em Minas. Do antigo projeto só Três Marias foi concluída.

 

Custou ao govêrno federal 7,7 bilhões de cruzeiros, tendo a Comissão do Vale do São Francisco contribuído com 3,6 bilhões, o BNDE com 4,1 bilhões, sob a forma de empréstimo a longo prazo. A usina geradora, bem como o sistema de transmissão e subestações principais, orçado em 7 bilhões de cruzeiros, ficaram a cargo da CEMIG, com recursos próprios.

 

Iniciada a construção em 1957, teve sua primeira etapa terminada em 1961, localizando-se junto à rodovia que liga Belo Horizonte a Brasília e a cerca de 240 quilômetros da capital do Estado. Tem 2700 metros de comprimento, com uma altura na barragem de 64 metros.

 

O volume de água represada é sete vezes maior que o da Baía de Guanabara : 21, bilhões de metros cúbicos, possuindo 6 geradores de 64.600 kw com uma capacidade geradora de 387.600 kw.

 

Às suas margens se encontram também os municípios de Paineiras, Felixlândia e Morada Nova.

 

Paineiras era distrito de Abaeté, tendo se emancipado em 1963. Felixlândia, antiga Piedade do Bagre, se tornou cidade em 1948, tendo pertencido antes a Curvelo. Morada Nova é mais antiga. Conta a lenda que Dona Inácia Maria do Rosário, que habitava na Fazenda Saco Bom, fez construir uma capela à Nossa Senhora de Loreto para missões dos franciscanos que vinham de Pernambuco, descendo o rio. Ao lado, construiu também um sobradão, que o povo logo apelidou de "Morada Nova". E como tal nasceu a povoação em redor da capela .

 

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Criação: 15/10/2010
Atualizada em 28/12/2010


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